sexta-feira, 31 de julho de 2009

01.08 - Sábado - a partir das 11h Oficinas de Poesia, Leituras e Debate!

Uma casa de 18 m² de madeira pré-fabricada chamará a atenção de quem passar no dia 1º de agosto pela Casa das Rosas, na Avenida Paulista.

A moradia é a mesma que jovens voluntários da organização latino-americana Um Teto para meu País (UTPMP) erguem para famílias em situação de extrema pobreza em 15 países da América Latina. A intervenção faz parte do lançamento da campanha institucional que se espalhará por toda a cidade e pretende divulgar o trabalho de UTPMP no Brasil.
Um Teto para meu País é uma organização latino-americana sem fins lucrativos, liderada por jovens que procuram melhorar a qualidade de vida das famílias que atualmente vivem em situação de pobreza, por meio da construção de casas emergenciais e de planos de desenvolvimento social.

Será construída uma casa de 18 m², de madeira pré-fabricada, na área do jardim da Casa das Rosas. Dentro dessa casa, serão ministradas oficinas de literatura e poesia com temas relacionados à pobreza. Durante o dia inteiro, estará aberta ao público a exposição de fotos “Encontro de Realidades”, que retrata o desenvolvimento do projeto nas comunidades da Grande São Paulo em que a organização já atuou, além de um debate, às 19h, que discutirá a produção cultural na periferia.


Programação:
11h - Apresentação do trabalho da organização
13h (a partir) - Oficinas de literatura e poesia baseada em textos e autores latino-americanos com temas relacionados à pobreza, com:
13h - Ivan Antunes [http://www.otatubola.blogspot.com/ ]
15h - Sacolinha [http://www.sacolagraduado.blogspot.com/]
17h - Wagner Sampaio [
www.brasasarau.blogspot.com/]
18h - improvisação de rap e projeção de imagens
19h - Debate: "Construindo na periferia: poesia, literatura e mãos à obra!", sobre a produção cultural da periferia. Com Rui Mascarenhas, poeta e coordenador do projeto Pontos de Poesia e André Ramos, Diretor de Formação e Voluntariado de
Um Teto Para Meu País.

Um Teto Para Meu País
R. Heitor Penteado 1480, cj 24 (11) 3675 3287
aramos@untechoparamipais.org
Local: Casa das Rosas Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Av. Paulista, 37 - Bela Vista CEP.: 01311-902 - São Paulo - Brasil (11) 3285.6986 / 3288.9447
http://www.casadasrosas-sp.org.br/contato.cr@poiesis.org.

terça-feira, 28 de julho de 2009

parede

você pensa. parede. só sente. tua testa na parede. repelente. e . testa na parede. você demente de tanta testa na parede. sente verde. a parede e a rede. o cabo. o poste. o gato. a parede. a testa que divide a minha testa da sede. sua. na parede. tua testa na minha verde. o meu pensamento na parede. o pente na parede. a raquete. a televisão. a plotter na parede. o birot. o hotmelt. a parede a sede verde. o repelente esparramado na parede. o primo vedete. tudo na parede. a merda na parede. o suco de laranja e o arroz na parede. a tulipa a tísica e o catimbó na parede. o fulano o beltrano o chuchulano e o valderrama na parede. a testa na parede. você. o sentido. sax seixas santos sousa na parede. sua cisma sarro e teu pulmão com catarro emparedados. verde. sépia estranho.

sábado, 11 de julho de 2009

Segue a declaração da poeta e amiga e santamarense e moradora do capão redondo e sambista e agitadora cultural e arquiteta/usp Sonia Pereira, sobre a FLIP 2009 (Festa Literária Internacional de Paraty), essa declaração, mais uma de quem esteve lá, chegou-me ontem a noite por e-mail, vamos abrindo o canal, vamos divulgando:

Em sex, 10/7/09, Sonia Pereira <soverso@gmail.com> escreveu:
De: Sonia Pereira <
soverso@gmail.com>Assunto: Re: REPRESSÃO NA FLIP - ou o que não saiu na TVPara: "Ivan Antunes" <ivanantunescorrea@yahoo.com.br>Data: Sexta-feira, 10 de Julho de 2009, 22:38

Pois é, amigo. Teve tudo isso e mais, claro! Tentativa de apreensão dos banner's do Maurício MArques, passeata das comunidades LOCAIS (!!!!!) excluídas do evento em sua própria casa, cara feia e desculpas esfarrapadas dos fiscais o tempo todo, etc, etc, etc. Mas também teve muita gente - da cidade e da "platéia" da FLIP - que ficou irada, que perguntava, queria ver nosso trabalho e tudo o mais. Como eu fiquei na minha, não rolou muito mais que cara feia pro meu lado, mas ficou o que sempre fica de tempos de repressão, e que é difícil de suportar e também de superar: a atuo-repressão. Já vi e vivi esse filme antes, infelizmente. Não sei se volto na FLIP, não quero isso de novo. Uma vez na vida já foi o bastante, não precisava da segunda e não suportaria uma terceira. Cada vez menos acreditando num futuro maior do que esse horizonte tacanho que nos enfiaram goela abaixo. Parece o final de um poema meu que nunca li em público, e que fiz logo que saiu aquela lei de fachar bares às 23h e que só funciona na perifa: "... é só você concordar / e ficar quieto, mudo! / Mas se você embaçar, / a gente vai ter que tomar uma providência / arrepiar e prender / por qualquer delinquência que a gente inventar. / Eaí maluco, vai encarar?"
Que saudade da música do Chico "Rosa dos Ventos", tá faltando a enchente amazônica, a explosão atlântica, pra gente voltar a ser dono do nosso próprio quintal. Bjs atônitos,
Sonia Pereira.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Poesia no Xilindró! FLIP 2009 - Vergonha.

"É o 'RAPA'
vai pau
polícia
sem papo.
É o fim da
sinfonia popular"
(Largo Treze de Maio)
Por isso eu insisto. Poesia ir parar no xilindró? Ô seÔ guarda! Pirou o cabeção? Pra poesia não tem tempo ruim não. Sol e chuva e dia e noite. Na rua na pedra no muro na praia. Na Tongadamironga do Cabuletê, em maracangalha e até na flip. Eita! Prenderam a poesia! Prenderam os versos, a voz que não teima em dizer aquilo que quiser.
Que coisa feia SeÔ guarda. Fiscal de poesia? Mais eita! O livro só custa dez. Já viu que a editora tem que pagar 5 mil pra abrir um stand em Paraty? Eita! Seu Fiscal...Fez o trampo direitinho...Mas era poesia! Agora vai ter que aguentar a palavra. Vai ter que aguentar a verborragia que isso vai dar. Já começou com o Marcelino Freire e outros raros nas mesas da FLIP fazendo protestos, agora eu me sinto afetado com isso tudo. Já pensous se o Rapa resolve rapelar minha palavra? Minha voz? E se resolvem fiscalizar aquilo que to escrevendo? Eita! Voltamos pra ditadura então. Nada pode! Nada vale!
O cara que vende o livro a dez reais não pode , mas e os 5 mil reais para aluguel de um stand? Fica pra quem? Deve ser para pagar a rápida passagem do Chico Buarque ou trazer atrações estrangeiras ao Brasil! Querem apagar a poesia do lugar dela, minha nossa...
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
Realizei o texto acima para evidenciar a situação bizarra ocorrida na
FLIP 2009 (Festa Internacional de Literatura Paraty/RJ) , utilizo algumas narrações dos amigos Rodrigo Ciríaco, Berimba de Jesus, Pedro Tostes, Marcelino Freire e Sonia Pereira.
Vamos aos fatos:
É comum, desde a primeira edição, o local receber escritores de todos os cantos que se concentram (alguns poucos) nas tendas e a grande maioria pelas ruas em botecos, na praça da Igreja, nas ruas pedregosas, no Bar do Dinho na Off-FLip, etc.
A poesia de rua, por não ter um puto no bolso, prefere ficar no espaço dedicado a ela: a rua. Todos os anos interações de rua maravilhosas ocorrem pelo local e com as interações e saraus, são vendidos os livros por contribuições espontâneas das pessoas ou a R$10.
Esse ano a coisa foi diferente, a fiscalização arrebentou nas ruas da FLIP e meu amigo
Pedro Tostes teve seu livro apreendido, pois é, mas daí você pode se questionar por qual motivo. Nem eu sei. Nem ele, aliás, comentaram que foi porque estava com mercadorias pelas ruas e estava tornando a Festa Literária algo COMERCIAL. Quanta hipocrisia!
Daí meu amigo Pedro, perdeu seus 17 livretos do selo Dix da editora annablume, pois é, teve que segurar o Boletim de Ocorrência e teve a tal da mercadoria apreendia. E vai vendo que a poesia foi parar no xilindró. Vai ver que os fiscais e a prefeitura de Paraty gostaram tanto do livro Descaminhar do Pedro Tostes que levaram 17 exemplares pra fazer um sarau...Xi, isso vai dar o que falar ainda.
A poesia é das ruas! É dos micro e mega fones! A poesia só é do Xilindró se for para transformar!Poesia no Xilindró só pra transformar e não pra virar pastel, mofo, bolor ou ser produto apreendido!
Lugar de poesia não é no xilindró!
Fica aqui meu apoio aos amigos reprimidos e o repúdio as atitudes repressoras de Paraty na tentativa de calar a verdadeira literatura.
(o amigo pedro tostes, literalmente segurando o B.O.)
(Berimba de braços cruzados e Pedro assinando o B.O.)

(Fiscais nas ruas de Paraty- FLIP 2009)

Fotos: Rodrigo Ciríaco
http://www.efeito-colateral.blogspot.com/

segunda-feira, 6 de julho de 2009

por algum tempo

vinte minutos é tanto tempo que se tem.
antes que você tenha trinta. ou quarenta, ficamos no vinte. aliás, vinte segundos, e quebram teu vidro e levam tua bolsa. antes que você chegue porque saiu à francesa ou deu um tchau meio educado àquela sua tia de segundo grau que não te via há dez anos. se a fração de segundo virasse bomba, urânios pulariam a todo instante na avenida santo amaro, na avenida do estado e no largo do socorro. os coréios não são japoneses, os coréios não são chineses, mas parecem com o bin laden e com o bush juntos. um soco que vale mais que mil palavras seria dado naquela manhã, pelo fato do retrovisor de trinta por trinta centímetros ter penteado de forma desagradável o topete do cidadão paulistano. o motorista preferiu sair sem pedir desculpas, ao parar levou sopapos e madeiradas penteando a sua cabeça do mesmo que recebera a penteada desagradável.
por vinte segundos otávio não puxou o gatilho e não fez o passado vir a tona na cabeça do baleado. por dez segundos não roubam a sua bolsa e não é feito mais uma vítima da criminalidade que vitimiza milhares de moleques infratores. por cinco segundos não resolvo cantar o samba mal educado de caco pontes. por quatro segundos não pego uma infecção generalizada e não piso no chão frio. por três segundos aquela rolinha voaria livremente longe dos dentes afiados do cocker cão-de-guarda do fundo do quinta. por dois segundos eu não viro monstro. por pouco eu não viro quem eu sou. por pouco eu não me encontro e não viro quem eu realmente sou.

domingo, 5 de julho de 2009

Falecimento

Morreu Rodrigo de Souza Leão.
Aí vai algo tirado do blog pessoal do mesmo, http://www.lowcura.blogspot.com/
quem não conheceu-o em vida, que possa eternizar algo de sua escrita que deve ser lida e estudada, que vá em paz. Desejo aos familiares e amigos paz e conforto, desejo que a literatura contemporânea permaneça de pé, a vida segue...

Assim estava em seu blog no dia 25/6 (última postagem):

"COR AZUL.
A mente esquizofrênica não funciona bem e boicota, sem os remédios, o tempo todo. Com remédios ficamos bem. Leves e tranqüilos para o mundo, que é muito bom. Fora as pessoas que não valem à pena, estas manter distância torna-se necessário. Positive Vibrations.
Thursday, June 25, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at
2:13 PM 0 comments "


Posto aqui alguns poemas do poeta, retirados do Jornal de Poesia e do blog do autor.

MELHORA.

Tudo é uma criação da mente
Um poema ou um poente

Tudo tem um forte sentido
Quando não se oprime o indivíduo

Alguém soletra uma distância
A distância separa os fatos

A verdade não é tão necessária
Já que Heráclito já morreu


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Pulso

O pulso pulou
Pra fora do bolso

A veia fétida
Da erupção

Elevou-me
Ao Éden

Que no mármore
Fique

Fincado
Um desepitáfio

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Flatulência

No vento
O litoral da pele
Espumando

Necropsia
Auto-retrato
Do nada

Impurezas
Sangues
Sugando

Na sopa
Da gordura
A válvula

Vasculha
A luz
Mitral